Não sou santista, admito. Mas é muito impactante assistir, mesmo que de longe, um dos maiores clubes do mundo afundando em um poço que transparece ser infinito. Uma sequência de ações, dentro e fora de campo, que mostram que aqueles que frequentam a Vila Belmiro ou que vestem o manto alvinegro tratam o time como se fosse um clube pequeno.
Claro que não é de hoje que o calvário santista começou. Desde 2014, ano em que Odílio Rodrigues assumiu a presidência, o clube segue uma sequência eterna de vergonhas. Acostumando o seu torcedor aos diários “7 a 1”, ao invés de dar títulos.
Aliás, na próxima sexta-feira (08/05), é aniversário da última taça, de primeira divisão, levantada pelo Santos, o Campeonato Paulista de 2016, vencida contra o Audax, então sensação daquele torneio. Desde então, a única taça erguida em 10 anos foi a esquecível Série B de 2024.
Alguns respiros foram dados como a final da Libertadores de 2020 ou mesmo a final do Paulistão em 2024, ou podemos incluir a boa campanha no Brasileirão de 2019. Mas esses momentos serviram apenas para esconder o quanto o clube se afundava.
Se antes o raio caia várias vezes no mesmo lugar, hoje a estiagem secou a principal fonte de recursos do clube. Se o manto botava medo em que o visse, hoje não consegue se impor nem contra o modesto Deportivo Recoleta, do Paraguai. Se antes era o clube favorito aos títulos, hoje não se tem certeza se vai seguir na Copa Sul-Americana.
Pelé morreu, e parece que levou consigo qualquer esperança de tempos melhores. Pois nem aquele que foi apresentado como “príncipe” conseguiu melhorar a situação.
Claro que o futebol é um esporte coletivo e ninguém vence, empata ou perde sozinho. Mas a chegada de Neymar Jr. tinha tudo para representar um renascimento para um clube que parecia não ver mais luz no fim do túnel. Mas não foi o que aconteceu.
A falta de planejamento para pagar um salário astronômico, de não ter um elenco a altura e sem um planejamento técnico/tático, só mostram o quanto o Santos quis viver de ilusões e não de realidade.
Uma briga de treino, vira escândalo. A diretoria aproveita para convocar uma reunião do Conselho para definir uma série de pautas, entre elas, a adequação do estatuto para uma SAF e mudanças nas regras para impedir que os adversários tenham qualquer base para disputar as eleições no final do ano. E a reunião marcada para o dia 18 de maio, data da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo, fato feito propositalmente para esconder a nova barbaridade feita com o clube.
O clube em que nem o Rei quis ser maior do que ele, é tratado como se fosse menor que seus dirigentes, seus jogadores e aqueles que aproveitam do seu dia a dia para se lambuzar das ainda existentes benesses de fazer parte da “Belmirolândia”, como diz Fábio Sormani.
Até quando? Não se sabe.
O que resta ao alvinegro da Vila Belmiro é o seu torcedor. Aquele que lutará pela sua existência até o fim.
Só tem um problema: a impressão é que tem muita gente trabalhando realmente para que este fim ocorra.
Até a próxima, Produção!!!

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