A temporada do futebol no Brasil ainda conta com seis jogos nos torneios masculinos, no caso, as semifinais e finais da Copa do Brasil. Com a redução de partidas, entramos em outra fase, a de focar nas polêmicas vazias que servem apenas para encher linguiça. O assunto da vez é o cansativo tema sobre o tipo de gramado.
Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, resolveu mandar mais uma de suas polêmicas vazias ao reclamar sobre a existência do gramado sintético na Série A do Brasileirão e a tentativa de que tal cenário acabe imediatamente.
BAP, como é conhecido, não trouxe qualquer novidade sobre o assunto. Relembrou que as principais ligas não aceitam o sintético e trouxe mais um estudo sem fundamento de que os pisos artificiais tornam as lesões mais propensas, algo que nunca foi cientificamente comprovado.
Do outro lado, Leila Pereira, presidente do Palmeiras, resolveu entrar novamente na troca de farpas para defender o piso usado tanto no Allianz Parque quanto na Arena Crefisa Barueri, estádios que o alviverde usa para atuar ao longo do ano.
O grande problema dos dois lados é que nenhum está preocupado em realmente criar um debate sobre gramados e sua melhora para o futebol brasileiro. Além da disputa pela hegemonia do futebol nacional, Flamengo e Palmeiras contam com os presidentes que mais amam demonstrar o próprio ego, agindo como se todos pensassem que dirigente é estrela, algo que não é a realidade.
O desperdício de tempo para algo tão simples também mostra a falta de capacidade de se pensar em pontos que podem ser melhorados e assim beneficiar a todos no futebol nacional.
Explicando
Claro que a padronização dos gramados é um caminho justo. Mas isso não pode ser debatido com o olhar exclusivo sobre o tipo de gramado, é necessário falar em qualidade.
Que todos os gramados deveriam ser naturais, isso é obvio, mas também é necessário que todos sejam bons. Estádios como o Castelão (Fortaleza), São Januário (Rio de Janeiro) e Fonte Nova (Salvador) não apresentaram um dia sequer de qualidade nesse ano. Mané Garrincha (Brasília) passa a maior parte do tempo em um estado lastimável e só melhora quando a seleção joga por lá. E o Maracanã (Rio de Janeiro) é de lua, dependendo da época seria melhor atuar no asfalto.
Cada um dos estádios citados conta com desafios diferentes como os casos do Castelão e Maracanã que contam com duas equipes atuando e não contam com tempo suficiente de recuperação. O Mané Garrincha não conta com incentivo para melhora, pois um jogo por lá é tão raro quanto um momento de consciência no Congresso Nacional.
Entre os estádios que contam com o gramado sintético temos o Allianz Parque (São Paulo), o Estádio Olímpico Nilton Santos (Rio de Janeiro), a Arena MRV (Belo Horizonte) e a Ligga Arena (Curitiba). Todos recebem grandes shows, o que ajuda na parte econômica de cada arena e vira uma fonte de renda a mais para os clubes, fato que BAP claramente quer acabar, principalmente em relação ao Palmeiras.
No caso desses estádios uma opção seria igualar o Real Madrid que tem um sistema no Santiago Bernabeu que protege o campo e permite que eventos sejam realizados sem que o gramado natural seja prejudicado. Mas tal processo demanda dinheiro e tempo, além da migração de jogos para outro local.
Mas a simples mudança do sistema para ter um gramado natural não é o suficiente. Diferente dos Estados Unidos em que o calendário esportivo é definido do seu início ao fim, o que facilita na agenda de outros eventos. No Brasil, quando sabemos das próximas cinco rodadas do Brasileirão é um milagre.
Ou seja, a padronização dos gramados não passa exclusivamente pela escolha de um tipo. É preciso entender o que cada arena precisa para conseguir ter para alcançar uma qualidade de fato, assim ajudando tanto na parte esportiva quanto na parte econômica, assim criando a possibilidade de novas rendas para os clubes ou donos de tais equipamentos esportivos.
Além do tempo para realizar isso, é claro.
Portanto, no dia que BAP, Leila ou qualquer outro dirigente quiser abordar este tema de maneira séria, vai ser um salto para o futebol brasileiro.
Agora no dia em que isso acontecer, podemos celebrar como um verdadeiro milagre.
Até a próxima, Produção!!!



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