Dormir cedo não é o meu forte, confesso. Em diversas noites aproveito a demora que o sono tem para chegar e mergulho em filmes, séries e documentários, ou mesmo a busca desenfreada pelo Youtube de coisas que não se sonharia em ter acesso após poucos cliques.
Desta vez resolvi ver a série documental Cazuza, além da música. Série documental em quatro episódios que está disponível no Globoplay.
O título desta série já entrega que a ideia é enxergar um ser humano que está atrás de uma das principais estrelas da nossa música. Claro que os sucessos podem ser ouvidos e contados. Mas os episódios (que juntos somam um pouco mais de duas horas) contam como um símbolo da juventude dos anos 1980, que vivia suas liberdades da forma mais insana possível, se transformou em uma bandeira em relação a uma doença recentemente descoberta: a AIDS.
Claro que a história em si é conhecida por todos, principalmente por aqueles que leram as biografias ou mesmo assistiram o sensacional filme Cazuza – O tempo não para, de 2004.
Mas este novo documento vai além do que já foi visto, pois familiares e amigos (e os arquivos de Cazuza) mostram como o cantor e compositor enfrentou uma barreira de uma doença que demonstrava um duplo adoecimento, pois enquanto o vírus reduzia sua imunidade, os insensíveis buscavam matar a sanidade de quem estava doente.
Neste tipo de cenário, sempre presto atenção sobre a maneira em que a doença é retratada pela imprensa da época. Como se tivesse uma nova oportunidade de retornar à sala de aula da faculdade de jornalismo e aprender com os exemplos.
Neste caso, com um exemplo ruim.
A edição da Veja do dia 26 de abril de 1989, que trouxe uma trágica capa com a manchete “Cazuza: Uma vítima da AIDS agoniza em praça pública” é um exemplo do que não fazer.

Desta vez temos relatos que vão muito além do que já estava registrado. A raiva de amigos e familiares, e a repercussão da época, são relatados com a seriedade que a reportagem ficou longe de ter.
O documentário também é um exemplar da evolução que a medicina teve em entregar tratamentos eficientes para quem tem AIDS, mas também relatar como conseguimos evoluir para que este tratamento seja feito de forma pública e acessível no Brasil através do SUS (Sistema Único de Saúde – VIVA O SUS!!!).
Assim, entregando a todos a oportunidade de seguir sua vida, mesmo não tendo o mesmo dinheiro que a família de Cazuza tinha para tentar lhe proporcionar esperança de uma vida muito maior do que os 32 anos muito bem vividos.
Cazuza, além da música é uma bela série documental.
#FicaDica
Até a próxima, Produção!!!



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