Palmeiras e sua necessária oxigenação

O pensamento do futebol brasileiro é sempre de 8 ou 80. Quando tudo está bom, a acomodação impera. Quando tudo está ruim, não se enxerga nada positivo. Para os palmeirenses um ano de 2024 com “apenas” um título – o tricampeonato paulista – virou motivo para a cobrança de uma “reformulação” do elenco. Porém, a diretoria resolveu apostar em uma “necessária oxigenação”, ou seja, nem 8 e nem 80. Apenas correto meio termo.

O 2024 do Palmeiras está longe de parecer o 2014. Há 10 anos a torcida vivia um processo de alívio com a evitada terceira queda para a Série B. Um elenco com poucas peças diferentes da disputa da segunda divisão no ano anterior não foi suficiente para levar a equipe para uma boa temporada.

Tal cenário criou um gigantesco sinal de alerta. No ano seguinte, com verbas oriundas do então presidente Paulo Nobre e as chegadas da Crefisa e FAM como patrocinadoras, o clube mudou quase todo o elenco. Foram 24 jogadores contratados e a permanência de poucos como o goleiro Fernando Prass.

A coincidência com 2024 fica para o fim do ciclo de um ídolo da torcida. Se em 2014 foi a vez de “El Mago” Valdivia deixar a Academia de Futebol, em 2024 foi a vez de Dudu deixar o clube após um ciclo vencedor.

Desta vez, o clube lida com um elenco que conta com atletas que bateram no teto, ou seja, que claramente estão em viés de baixa, cada um por um motivo. No caso de Dudu me parece apenas um desgaste de relação. O atacante voltou de uma grave contusão e achou que voltaria a ser titular com facilidade, mas não estava com futebol para isso.

Rony, que virou um centroavante competente para o time, neste ano ficou bem abaixo. Zé Rafael pagou o preço do desgaste físico dos últimos anos, quando era imprescindível tanto como um segundo volante quanto como um cabeça de área. E Lázaro não mostrou para o que veio.

Agora o time busca contratações pontuais, entre grandes estrelas e apostas. Facundo Torres vem para tentar espaço nas pontas ou mesmo como meio-campista, quando necessário. Paulinho (ainda não confirmado enquanto este texto é postado) busca ser uma alternativa para Rony.

Se vier, Andreas Pereira pode ser tanto uma alternativa para Richard Rios quanto para Raphael Veiga e Maurício, se necessário. Agora se fala na sondagem para Vitor Roque, que seria alguém para assumir o lugar de “Flaco” Lopez. E ainda o clube busca um zagueiro canhoto.

Mas eu ainda iria além. O ano de 2025 tende a ser ainda mais desgastante do que foi 2024. Além do Mundial de Clubes no meio do ano, a insanidade do calendário brasileiro, que está previsto para seguir até 21 de dezembro, vai exigir um esforço físico e mental ainda maior.

Se fosse o Abel, aumentaria um pouco o elenco. Não necessariamente com mais atletas de um nível alto, mas bons coadjuvantes que possam ser utilizados para o revezamento ao longo da temporada, assim criando um pouco mais de fôlego para encarar a maratona de 2025.

Tal estratégia precisa ser levada em conta, principalmente para um clube que será altamente exigido no segundo semestre, já que no primeiro o único “grande” objetivo é o tetracampeonato paulista, algo que não acontece desde a sequência do Paulistano entre 1916 e 1919. Além da primeira fase da Conmebol Libertadores.

A oxigenação no Palmeiras será necessária para retomar parte da fome que pareceu não existir em 2024. Resta saber se dará certo. Vamos aguardar.

Até a próxima, Produção!!!

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