Senna não descansa em paz

Confesso que imaginei este texto como uma forma de falar sobre a série Senna, que está na Netflix. Porém, mudei de ideia. A vida do ex-piloto de Fórmula 1, morto há três décadas, virou motivo para uma verdadeira devassa mediática. As homenagens dão lugar ao aproveitamento econômico de sua imagem e as fofocas sobre alguém que não está mais aqui para responder ninguém. Resumindo: um show de covardia. Tal fato me faz duvidar que Ayrton esteja realmente “descansando em paz”.

Quando Senna morreu, em 1º de maio de 1994, eu tinha quatro anos, portanto, eu não tive a felicidade de ver corridas com a sensação da época e nem sequer lembro de seu acidente fatal. Cresci com a lenda sobre um piloto que é considerado pela maioria como o maior de todos os tempos.

Apesar desta falta de vivência, sempre tive fácil acesso as histórias sobre a vida de Ayrton. Documentários, livros, reportagens e entrevistas apontavam que seus 34 anos por este planeta estavam em domínio público.

Mas neste 2024, quando se completou os 30 anos de sua partida, uma série de “homenagens” (exatamente em aspas) foram preparadas. Porém, todas baseadas em ideias comerciais. Poucas foram aquelas que realmente apontavam ter um mínimo de sensibilidade com sua memória.

A própria série virou vítima disso. Apesar de chapa branca (o que afetou as minhas expectativas), os seis capítulos conseguem minimamente colocar o seu espectador no contexto da época. Apesar do pouco aprofundamento de algumas figuras como Gerhard Berger, o melhor amigo de Senna nas pistas. Ou mesmo de Nelson Piquet, seu maior inimigo. E claro, Adriane Galisteu, a última namorada.

E o não aproveitamento de outras situações como a vitória no GP de Detroit, em 1986, a primeira vitória celebrada com a bandeira do Brasil por causa de uma eliminação em uma Copa do Mundo. O GP da Europa de 1993, com a volta do século em Donington Park. E a vitória no GP Brasil de 1993 (que apenas foi usada como um pequeno pano de fundo para a “participação especial de Galisteu”).

Apesar de tudo isso, a série é um bom início para quem não entende o contexto sobre o mito (no bom sentido da palavra) Senna.

Agora tudo isso é jogado na lata de lixo pela família, que busca escolher recontar uma história incompleta para “apagar” algumas das personagens. Também é apagada pelas pessoas que querem requentar fofocas esdruxulas. E por aqueles que querem contar mil histórias “novas” aproveitando que o alvo não está mais aqui para se defender.

Ou seja, se alguém chegou a desejar que Ayrton Senna da Silva descansasse em paz, essa pessoa falhou miseravelmente, pois muitos não deixam, seja por dinheiro ou seja por fama.

Até a próxima, Produção!!!

 

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