Reflexão: Direitos e Deveres, e as redes sociais

OBS.: COMEÇO ESTE TEXTO AVISANDO QUE LÁ VEM TEXTÃO

A suspensão do X (antigo Twitter) vem chamando a atenção de todos. Mas não quero abordar este tema visando um olhar jurídico (pois não sou advogado) e nem um olhar polarizado (que é chato). A ideia é tentar refletir sobre direitos e deveres em relação a forma que a plataforma é utilizada e o olhar de quem a comanda.

Nós, brasileiros, fomos ensinados de que “o meu direito termina quando começa o seu direito”. Mas essa lição foi feita de maneira errada. Na verdade, o direito de todos anda em paralelo. A ideia é que eu não use o meu direito para atrapalhar o direito do amiguinho.

Vamos com um exemplo:

Eu tenho 35 anos, portanto sou maior de idade e posso beber uma bebida alcóolica. Eu tenho CNH, portanto também tenho o direito a dirigir, fora o direito de ir e vir. Agora, por que eu não posso dirigir depois de beber uma bebida alcóolica? Porque ao fazer isso estou colocando todos em risco, assim tirando o direito dos outros de ir e vir, além de colocar a vida de quem estiver no caminho em risco.

Esse é um exemplo bem direto, na minha visão, para mostrar que todo o direito vem com um dever. Agora vamos aplicar isso no caso X.

Eu tenho o direito a liberdade de expressão, mas eu não posso usar esse direito para abusar psicologicamente de alguém (ou usando a linguagem da internet, não posso ser um hater). Não posso divulgar notícias falsas ou acusações falsas contra as pessoas (calunia e difamação). Não posso ser preconceituoso (racismo, LGBTfobia, intolerância religiosa, entre outros).

Ou seja, não posso usar o meu direito de me expressar para simplesmente destruir um coleguinha de planeta. Entendeu?

Agora essa responsabilidade não pode ficar apenas nas mãos de quem vai usar uma plataforma de internet. Os donos precisam se ater a isso e fazer com que todos entendam que as regras da “vida real” também são válidas para a “vida digital”.

Na minha visão, se um dono de uma rede social não se toca que precisa evitar esses crimes, o mesmo se coloca como uma espécie de “cumplice” destes crimes que são realizados em sua rede.

Claro que defendo a liberdade de expressão, pois sou jornalista e esse direito é uma base fundamental do meu trabalho. Mas não posso achar correto que alguém use esse direito para cometer crimes. Não posso passar pano para quem acha normal ou natural usar o poder de comunicação para acabar com a vida de alguém (o que acaba acontecendo em determinadas situações).

Por isso, é necessário aproveitar o momento e criar uma regulamentação forte, imediata e internacional para mostrar para todos que a lei vale para todos e em todos os ambientes. A regulamentação das redes sociais é necessária exatamente para que seus donos não achem que são deuses supremos e isentos das consequências da lei (ouviu, Mr. Musk?!).

Quantas pessoas precisam ter problemas de saúde mental ou mesmo perder a vida para que todos tenham essa noção?

Então deixe de ser mimado ou mimada e entenda que todo o direito traz consigo um dever. Esse é o X da questão.

Até a próxima, Produção!!!

P.S.: Se você está passando por qualquer problema de saúde mental procure um especialista. Você também pode ligar para o CVV (Centro de Valorização da Vida), o número é 188. É gratuito, funciona 24 horas por dia e conta com pessoas preparadas para te ouvir, para ser um ombro amigo para você.

Deixe um comentário

Autor

Avatar de Carlos Carvalho

Written by