A dor da prata não pode esconder as evoluções

A cultura brasileira faz com que nas vitórias só se evidencie as qualidades e nas derrotas se jogue luz nos erros. Mas é necessário não esconder as situações ruins quando se vence e as evoluções quando se perde.

A seleção brasileira feminina ficou com a prata no torneio olímpico de futebol. Mas é bom lembrar que o Brasil chegou em um posto que nem sequer era imaginado antes do início da competição. Para quem acompanha minimamente as seleções femininas sabia que as brasileiras não tinham lá grandes chances.

Mas a beleza do futebol está na quebra de paradigmas e da mínima possibilidade se transformar em um resultado extraordinário.

É claro que a fase de grupos foi bem ruim. A vitória contra a Nigéria demonstrou alguns problemas de marcação e a falta de aproveitamento no ataque. A derrota contra o Japão foi dolorosa, pois não se soube manter um resultado com inteligência. E o jogo contra a Espanha reforçou o entendimento de que a medalha estava longe, pois a postura não era a ideal para o torneio. A classificação veio apenas por uma combinação de resultados.

Mas a beleza do futebol…

Enfrentar a França, uma seleção melhor, jogando em casa e com todo o favoritismo. O cenário nas quartas foi alterado pela mudança de postura da equipe. A marcação melhorou, principalmente na saída de bola, e o ataque aproveitou a chance que teve. A inteligência futebolística e mental transformou o sonho da semi em realidade.

Lá vem a Espanha, campeã do mundo, com as melhores jogadoras do planeta e com todo o seu favoritismo contra o Brasil, principalmente com a derrota na primeira fase e sem a Marta no time.

Mas a beleza do futebol…

A estratégia usada na partida contra a França fez com que o Brasil não tomasse conhecimento das espanholas. O time jogou muito, teve volume e dominou a partida o quanto pode. Uma vitória gigantesca e a medalha impossível virou realidade.

Lá vem os Estados Unidos com um time melhor, mas bem organizado e que era favorito para o ouro. Mas do outro lado tinha o Brasil, mordido e fechado, com a postura que todos queriam.

Um jogo equilibrado, com o Brasil realizando um grande primeiro tempo. Até gol anulado teve. Mas no segundo tempo, a estratégia defensiva deu errado. As americanas aproveitaram os confrontos individuais para abrir o placar e levar perigo em outros momentos.

As brasileiras lutaram, jogaram, se entregaram ao máximo para tentar reverter tal situação. Mas não deu.

A prata veio. Mas lembre-se, não era para ter medalha nenhuma. Mas beleza do futebol fez com que ela viesse de qualquer maneira.

Agora é se preparar. A renovação do time será menos dolorosa do que se imaginava. Arthur Elias terá tempo suficiente para preparar o time para a Copa do Mundo de 2027, em casa. Todas já entenderam que se o coletivo melhorar, o individual aparece mais fácil.

E quem sabe a beleza do futebol transforma a prata em ouro no Maracanã.

Até a próxima, Produção!!!

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