Antero, Apolinho e Silvio

São 22h20, de 16 de maio de 2024.

Depois de um dia de trabalho jornalístico e de muita tristeza, consegui tomar coragem para escrever algo que fosse muito além de um curto texto que vai parar em uma rede social.

Tudo começa há cerca de 24 horas. Em meio ao jogo do Palmeiras na Libertadores vejo nas redes sociais a informação de que Washington Rodrigues, o Apolinho, tinha falecido. Aos 87 anos, em tratamento, morreu calmamente em meio a festa de seu Flamengo, que vencia o Bolivar pela mesma competição.

Para alguém criado em São Paulo, Apolinho era uma figura distante, mesmo assim conhecida de quem amava o esporte bretão. Um cara que revolucionou o rádio e que tinha tanto respeito, que chegou a treinar o seu time de coração e mesmo assim manteve o respeito e a credibilidade em relação aos demais torcedores.

Alguém que conseguiu entregar frases de efeitos e deu aos torcedores do Maracanã gentílicos inesquecíveis. Os “arquibaldos” e os “geraldinos”. Aliás, o segundo grupo citado faz uma falta danada em dias de elitização do futebol, em que o povo está afastado do esporte no qual é dono.

Apolinho é, foi e sempre será um patrimônio do Rio de Janeiro e de sua gente.

Horas depois, enquanto dormia o sono dos justos, Antero Greco descansou. Alguém que era meu amigo, mesmo que eu nunca tenha me encontrado com ele. Nada de dormir antes de ver ele e Paulo Soares, o Amigão, nos informando, nos fazendo pensar e nos fazendo rir no SportsCenter.

Antero, como até escrevi em texto anterior, nos fez entender que para ser jornalista é necessário ter senso de humanidade. É evitar virar um robô inanimado, sem sentimento e que não consegue passar para seu espectador o que realmente acontece e a importância daquela notícia.

O Bom Retiro não será o mesmo após a partida de seu maior defensor. A cidade de Roma, Itália, perdeu um de seus maiores conhecedores. O Palmeiras perdeu um torcedor genial. E nós perdemos alguém tão importante quanto um parente e que entrava em nossos lares em precisar pedir licença.

Antero, my friend, é, foi e sempre será um dos gigantes da nossa profissão.

A manhã estava passando quando veio a notícia derradeira. Silvio Luiz também resolveu deixar esse planeta. Integrante da chamada santíssima trindade da narração esportiva na televisão (ao lado de Galvão Bueno e Luciano do Valle), Silvio marcou a história da comunicação com um jeito único de narrar.

Os bordões marcaram gerações e foram repetidos por diversas vezes nos campos e quadras deste país. Seu jeito que misturava um mal humor com o bom humor o transformava em uma atração de todas as transmissões.

Desde as clássicas transmissões do Campeonato Italiano nos anos 1980, passando pelos torneios nacionais e estaduais do nosso território. Aprontava de tudo, informava de tudo e sempre tinha algo para tirar da cartola.

Tive a honra de conhecer Silvio em 2014, para uma entrevista que fez parte do TCC do meu grupo. Ao lado de Bruno Mesquita e Renan Kalil, tive uma rápida aula de 30 minutos com um dos gênios da narração esportiva. Uma foto resumiu o quão Silvio foi gente boa com aquele grupo de estudantes que tomavam seu tempo.

Silvio é, foi e sempre será um dos maiores comunicadores da história.

22h40, de 16 de maio de 2024.

Obrigado Apolinho, Antero e Silvio.

Que descansem em paz!!!

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