19 de abril de 2014.
Estava em meu quarto, com o notebook aberto e revendo as perguntas que seriam feitas na primeira entrevista que meu grupo de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) faria dois dias depois.
Por volta das 17h, fui ao banheiro. Ao retornar ao quarto resolvi entrar no Facebook e ver o que estava rolando por lá. Atualizei a página e a primeira postagem que apareceu era do UOL. Uma foto e uma simples frase: Morreu Luciano do Valle.
O meu desespero foi tão grande que ao invés de ligar a televisão que estava no meu quarto, fui para a sala para entender aquela notícia. Quando coloco na Band, José Luiz e Joel Datena já estavam repercutindo tudo aquilo. O choque foi tão grande que fiquei durante três horas assistindo tudo aquilo sem querer acreditar.
Quando terminou o Jornal da Band, voltei ao quarto e liguei aquela TV. Começou a passar uma homenagem com algumas das narrações icônicas do Luciano. Sentei na cama, me encostei na parede e comecei a chorar.
Só não entendia o motivo pelo qual estava chorando. Fiquei por algum tempo me perguntando o que aquele senhor tinha feito para que eu ficasse daquele jeito.
Mas comecei a entender que boa parte daquelas narrações faziam parte da trilha sonora da minha vida, tanto quanto qualquer música que esteja na minha playlist.
Comecei a entender que o meu amor pelo esporte passou muito pelo Luciano do Valle. Consegui ser uma espécie de “filhotinho” do Show do Esporte, da Faixa Nobre do Esporte e tantas transmissões especiais que eram feitas nos anos 1990.
Tantas vezes em que resolvi assistir um jogo só porque ele era o narrador. As histórias de quem organizou o jogo de vôlei no Maracanã, colocando mais de 95 mil pessoas em uma quarta-feira chuvosa para ver o Brasil vencer a União Soviética, assim estabelecendo o recorde mundial de público em um jogo deste esporte. Número que não foi batido até hoje.
Um cara que fez o Brasil conhecer Adilson ‘Maguila’ Rodrigues, Ruy Chapéu, Magic Paula, Rainha Hortência e tantas e tantas figuras que viraram ídolos.
Eu entendi os motivos que me levaram às lágrimas naquele dia.
Meu único movimento seguinte foi pegar o roteiro do TCC e acrescentar uma homenagem. Tive a atitude e só depois falei com meus colegas sobre fazer isso. Uma má educação de minha parte, mas extremamente compreensível.

Usamos uma de suas frases icônicas: “Não há palavras para descrever o gol de Zico (ou de Marta, como fez tempos depois)”. Pois, não há palavras que descrevam a importância deste gênio para a história do esporte e do jornalismo esportivo no Brasil.
Viva, Luciano do Valle!!!!
Valleu, Luciano!!!



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