Acordo com cara de passada de pano

Não se combate o preconceito com acordos ou passando o pano. Infelizmente não foi assim que o TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo) entendeu toda a situação que ocorreu após o clássico entre São Paulo e Palmeiras. Um amplo acordo foi feito e incluiu até mesmo uma frase preconceituosa contra o técnico palmeirense, Abel Ferreira.

Para quem não se lembra, após o Choque-Rei válido pela 11ª rodada do Paulistão 2024, alguns atletas e dirigentes do São Paulo resolveram reclamar sobre os erros de arbitragem que foram cometidos durante a partida. Porém, foram relatados diversos xingamentos contra o trio de arbitragem. No meio da confusão, o diretor de futebol do Tricolor, Carlos Belmonte, acabou extrapolando todos os limites e chamou Abel Ferreira de “português de m…”.

Nove dias depois do jogo, Belmonte aparece em um vídeo vazado pedindo desculpas para Abel e reconhecendo que extrapolou todos os limites, assim atingindo o técnico e a comunidade portuguesa.

Mas nesta quarta-feira (13/03), 24 horas após o vídeo ter vazado, foi noticiado o acordo para que todos os envolvidos na confusão pagassem multas, que no total somam R$ 205 mil. Ou seja, até mesmo Belmonte (que poderia pegar até 270 dias de suspensão pela frase preconceituosa) vai pagar um determinado valor que seguirá para os cofres da Federação Paulista de Futebol e ficará 30 dias fora de estádios durante o Paulistão.

E o vídeo? Também fazia parte do acordo.

Todo esse acordo mostra duas situações. Primeiramente, o vídeo do Belmonte claramente foi uma simples jogada de marketing, apenas para esfriar os ânimos, para apenas dar maior validade ao acordo feito. Não entendeu o tamanho da besteira que falou.

Segundo, quando o TJD-SP incluí no acordo uma situação que envolve uma frase preconceituosa, acaba de forma indireta passando pano para o que foi dito.

Acordos sobre determinadas situações de jogo, expulsão ou reclamações são normais no futebol brasileiro (o que não significa que sejam bons pensando no exemplo). Mas em meio a uma sociedade que cada vez está se conscientizando mais da necessidade de combater preconceitos, a inclusão de tal situação no acordo é um gigantesco desserviço do futebol, algo inadmissível.

O Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo perdeu uma chance de dar o exemplo correto, de não passar pano para uma situação que extrapolou todos os limites e de mostrar que está atento ao que acontece e exige a sociedade.

Mais um gol contra no futebol brasileiro.

Deixe um comentário

Autor

Avatar de Carlos Carvalho

Written by