Bastaram 36 segundos para que Acelino ‘Popó’ Freitas mostrasse para Kleber Bambam o que era um boxeador de verdade. O tetracampeão do mundo não precisou de muito esforço para fazer o campeão do BBB 1 entender o seu tamanho. Apesar de toda a festa (e risadas), um evento grandioso como esse poderia ser dedicado para boxeadores profissionais que precisam da força da mídia para alavancar os seus nomes e assim fazer uma carreira digna.
Claro que tudo que foi dito durante os últimos meses, todas as provocações e todas as falas sem noção (principalmente por parte de Bambam) deram uma bela graça no evento que ocorreu entre a noite deste sábado (24/02) e madrugada deste domingo (25/02).
Tal evento mostra que o Brasil tem capacidade de realizar verdadeiras festas para o esporte, fora o futebol. É legal ver o interesse gigantesco por todo o card. Mas é necessário fazer uma ponderação um pouco mais clara de tudo isso (pois o texto precisa ter uma leitura maior do que 36 segundos).
O Brasil conta com dois campeões olímpicos, Robson Conceição e Hebert Conceição. Dois medalhistas de ouro, sendo que o segundo é dono de uma vitória por nocaute, algo raro na história olímpica. Por que não chamam os dois para um evento tão grandioso como esse? Com outros lutadores que podem ser grandes talentos para este esporte?
Era criança quando assisti a primeira luta do Popó. Me lembro daquele 7 de agosto de 1999. Estava na casa do meu padrinho para um churrasco, mas chagamos mais cedo para que todos pudessem acompanhar aquele brasileiro que poderia ser campeão mundial e tomar o cinturão de Anatoly Alexandrov.
Meu padrinho, sabe-se lá Deus porque, resolveu fazer uma pipoca antes da luta. O problema é que Popó resolveu terminar com o combate em 1 minuto e 41 segundos. Quando meu padrinho voltou, já estava passando a novela.
Acompanhar a carreira de Acelino, e seus nocautes impressionantes, foi algo sensacional para quem não era nem projeto de gente quando Eder Jofre chegou ao topo do mundo ou quando Adilson ‘Maguila’ Rodrigues quase dominou a categoria peso pesado.
Seria tão legal que essa mesma geração que se divertiu com as bobagens ditas por Bambam, também conseguisse acompanhar outros atletas que pode virar ídolos do esporte.
Para não ficar apenas na lamentação, fica uma sugestão: na próxima vez que alguém for fazer graça contra o Popó, montem o restante do card com outros boxeadores brasileiros, homens e mulheres, seria um bem muito maior do que o simples entretenimento. Seria esporte de verdade.



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