Qualquer premiação pode ser rodeada de debates sobre quem merece ou não aquela estatueta. No futebol, tal debate é ainda maior, por razões óbvias. Mas nesta segunda-feira (15/01), a FIFA conseguiu ir do 8 ao 80 com o The Best. A entidade marcou um golaço ao homenagear a Marta. Mas deixa muitos incrédulos ao entregar para Messi um prêmio que claramente ele não merecia.
Vamos primeiro falar do “80”. Marta, a Rainha do Futebol, foi eternizada ainda em vida. Aos 37 anos, a melhor jogadora da história dará nome ao prêmio do gol mais bonito entre as mulheres. E mais lindo ainda foi o discurso, lembrando da ainda necessária ação que o mundo do esporte bretão precisa ter para valorizar os torneios femininos.

Realmente é um recado que deve ser ouvido por todos e todas, inclusive no Brasil. Não podemos admitir que o nosso torneio nacional só tenha espaço na televisão aberta nas fases finais. Não podemos aceitar que clubes não tenham um real plano para os departamentos femininos e apenas buscam “cumprir uma obrigação” imposta pela CBF, Conmebol e FIFA.
Já passou da hora de levar a organização do futebol feminino de maneira séria e que possa realmente trazer valor para a modalidade e formar uma geração que aceitará com mais facilidade o espaço conquistado na marra pelas mulheres. Ainda existe muito para avançar. Portanto, não temos que apenas aplaudir os feitos de Marta, mas temos que ouvir suas palavras insistentes por uma maior valorização das nossas jogadoras, técnicas, árbitras e dirigentes.
Lionel
Agora vamos ao “8”. O constrangimento de ver Messi ser anunciado como melhor do mundo pela oitava vez e não aparecer para receber o prêmio é apenas um retrato claro de que os eleitores não assistiram qualquer partida de futebol durante o período de 19 de dezembro de 2022 e 20 de agosto de 2023, exatamente o período que seria analisado para definição do The Best.
Neste meio tempo, Messi venceu um Campeonato Francês e uma Leagues Cup, uma espécie de seletiva para a ConcaChampions (a Libertadores das américas do Norte, Central e Caribe). O camisa 10 da Argentina não jogou mais que Haaland (que para mim foi o melhor do mundo) e tenho minhas dúvidas se mais que Mbappé.

Sabemos que Messi será lembrado como um dos maiores da história (para mim o segundo, só atrás do Rei Pelé), mas entregar este oitavo The Best sem que ele mereça é desmerecer o prêmio e mostrar que nós brasileiros não temos que chorar as pitangas por não ter um compatriota recebendo o maior prêmio individual do futebol.



Deixe um comentário