A interinidade de Fernando Diniz à frente da seleção brasileira durou seis jogos. Duas vitórias, um empate e três derrotas seguidas depois a CBF resolver desligar o treinador e focar em um outro nome. Mas antes de falar sobre o futuro, é necessária uma reflexão sobre o comandante do Fluminense e sua passagem pelo selecionado nacional. Um período em que a seleção tentou um “futebol ideológico”, algo que é conflitante com o “resultadismo” existente no esporte.
Por diversas vezes Diniz deixou claro que o seu pensamento de futebol será aplicado independente de resultados. Seu pensamento de jogo é o mesmo do Audax, vice-campeão paulista em 2016, e o mesmo do Fluminense, campeão da Libertadores 2023. Girar a bola o máximo que puder, evitar o chutão e se arriscar ao máximo para apresentar o melhor futebol possível.
É com essa “ideologia” que Diniz chegou na seleção. Só que tem um problema: o tempo. Apesar do calendário insano que o Brasil tem para os seus campeonatos, que não dá tempo para o treinador ter uma pré-temporada digna e um ano confortável, Fernando conta com mais tempo no clube para implantar sua filosofia do que na seleção.
Em um ciclo de quatro anos a seleção só conta com dois períodos com mais tempo de treino, a Copa América e a Copa do Mundo. No restante, amistosos e eliminatórias, a seleção brasileira só conta com basicamente 10 dias, sendo que no máximo cinco dias de treino com a equipe completa. Tal fator impede que um treinador como Fernando Diniz possa implantar o que pensa.
Além disso, a pressão pelo resultado positivo, principalmente em uma seleção que não conquista um mundial desde 2002, faz com que tudo seja para ontem, o que não colabora para que Fernando Diniz possa realizar o melhor trabalho possível.
E ainda há um terceiro ponto. Uma das principais críticas à seleção é a falta de alternativas de jogo. O Brasil joga o futebol de uma nota só. Começa a ganhar de um jeito e não larga mais. Não tem plano B, C e D, é apenas o plano A. Diniz também demonstra que não tem outros planos para momentos difíceis, o que também mostra que ele teria muitas dificuldades para seguir um ciclo completo pela seleção.
Futuro

E agora? A CBF (Ednaldo Rodrigues, melhor dizendo) mira em Dorival Junior. Um treinador experiente, com diversos estilos de jogo e vencedor. Além disso, mais acostumado com planos B, C e D, e como “resultadismo”.
É uma grande opção entre os “brasileiros” (só deixando claro que para mim não importa o local de nascimento do técnico. Certidão de nascimento não conta com o campo “competência”). Entre os estrangeiros eu tentaria o Abel Ferreira, apesar de duvidar e muito de que o treinador largaria o Palmeiras para a bagunçada CBF.
Mas o que está claro é que necessário um nome mais experiente e com alternativas. O ano de 2024 não será fácil para o Brasil. Em março amistosos contra Espanha e Inglaterra. No meio do ano o amistoso contra o México e a Copa América. Em setembro, outubro e novembro mais um terço das eliminatórias contra Equador (em casa), Paraguai (fora), Chile (fora), Peru (em casa), Venezuela (fora) e Uruguai (em casa).
Não há espaços para erros. Só espero que o próximo treinador priorize o coletivo ao invés do individual. Que a seleção seja a estrela e não algum atleta (independente de quem seja).



Deixe um comentário