90 anos do last dance de Carlitos

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Hoje é quinta-feira, portanto é dia de TBT.

Em meio a insônia, vejo que neste 5 de fevereiro de 2026 se completa 90 anos de um dos maiores filmes de todos os tempos: Tempos Modernos. Escrito, dirigido e produzido, além de protagonizado, por Charles Chaplin. A última dança de Carlitos e a última dança de Chaplin no cinema mudo.

Chaplin vinha de uma grande sequência com A Corrida do Ouro (1925), O Circo (1928) e Luzes da Cidade (1931). E o sucesso do último filme citado foi grandioso, mas ajudou a pressionar o cineasta ainda mais, tanto para conseguir algo maior quanto por ainda insistir em filmes mudos, já que em 1927 foi lançado O Cantor de Jazz, que inaugurou a era do “cinema falado”.

Lendo a autobiografia de Chaplin, vi um trecho em que ele foi até uma corrida de cavalos junto de Paulette Goddard, atriz e sua esposa à época, e viu nela um talento em imitar outros sotaques e queria aproveitar isso em algum filme, mas acabou mudando de ideia ao ter uma lembrança.

Paulette Goddard (Foto: Reprodução/Tempos Modernos)

“Depois, lembrei-me da entrevista que concedi a um jovem e brilhante repórter do World, de Nova Iorque. Ao dizer-lhe que ia visitar Detroit, explicou-me o sistema de trabalho na linha de montagem dos automóveis – uma história confrangedora da grande indústria, atraindo jovens sadios que deixavam o campo e que, ao fim de quatro ou cinco anos, se viam reduzidos a uns frangalhos nervosos. Foi tal conversa que me deu a ideia para Tempos Modernos (…)”, escreveu o cineasta.

Chaplin escreveu a história de um trabalhador que enlouquecia com o dia a dia de uma indústria. A história também contava com protestos, sindicatos e outras questões que para época eram consideradas polêmicas.

Vamos lembrar que estamos falando de uma época em que qualquer coisa de defesa da classe trabalhadora era chamada de “comunismo”, mesmo que as pessoas não soubessem o significado ou o que realmente era comunista (o que parece não ter mudado em nove décadas).

“Antes de haver a estreia de Tempos Modernos, alguns colunistas escreveram que, segundo certos rumores, o filme era comunizante. Creio que isso resultou de já ter aparecido na imprensa um resumo da história. Todavia, os críticos de tendência liberal acharam que a película não era nem a favor do comunismo nem contra e que eu, como se costumava dizer, estava montado na cerca.”, aponta Chaplin em outro trecho.

O filme é genial. As falas eram feitas através de aparelhos modernos para a época. Parecia que Chaplin tinha montado uma máquina do tempo e chegado ao século XXI. De resto, todo o filme ainda tinha o esquema de cinema mudo.

Mas lembre-se, o comediante era pressionado para fazer filmes falados. Mas não queria que Carlitos falasse, pois sem uma voz, ele poderia ser compreendido por qualquer pessoa, inclusive aquelas que não falam inglês.

Mas nesta última dança do clássico personagem, Carlitos venceu, pois quando falou, ninguém poderia compreender.

Chaplin na cena final cantando Non-Sense Song (Foto: Reprodução/Tempos Modernos)

E outro ponto deste filme que me anima é sua trilha musical. Ao lado do compositor Alfred Newman, Chaplin compôs a clássica Smile. Para o filme a música era apenas instrumental. A letra foi feita em 1954 por John Turner e Geoffrey Parsons.

A letra em si é um primor e algo que sempre me anima quando estou triste. Virou a música número 1 da trilha sonora da minha vida.

E mesmo na madrugada, no momento em que escrevo, e que confesso que estou longe de qualquer tristeza, vou ouvir mais uma vez esse clássico e dormir sorrindo.

Até a próxima, Produção!!!


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